
Métodos de Reprodução e Produção In Vitro
A monta natural é caracterizada pela ocorrência da cópula entre macho e fêmea livremente, sem interferência. Também existe a monta natural controlada, onde o humano conduz uma fêmea em cio até um macho sexualmente hábil.
Na cópula, o macho realiza a ejaculação na vagina da fêmea, iniciando o processo de fecundação. A fecundação ocorre quando há fusão do ovócito, liberado na ovulação, com o espermatozóide maduro. O espermatozóide consegue entrar no ovócito a partir da liberação de enzimas hidrolíticas que auxiliam na penetração. Após a entrada, os pró-núcleos masculino e feminino migram para o centro do ovo, formam um núcleo diplóide e a primeira célula do concepto, o zigoto.
A partir da fecundação e formação do zigoto, o embrião começa a realizar uma série de divisões mitóticas, sendo a primeira clivagem 24 horas após a fecundação. As células resultantes desse processo são denominadas blastômeros, que após a terceira clivagem, se aglomeram formando uma massa compacta de células. Aproximadamente 4 a 5 dias após a fecundação, o embrião apresenta-se com 16 a 32 células, caracterizando o embrião em mórula. Durante esta fase o embrião é transportado do local da fecundação em direção ao útero (no dia 6), onde deve ocorrer o desenvolvimento da gestação.
Após a formação da mórula, inicia-se o acúmulo de fluido no interior da cavidade central, formando a blastocele e transformando o embrião em um blastocisto inicial (16º dia). A partir daí as células se diferenciam em dois grupos, trofoblasto e embrioblasto. Células do trofoblasto são necessárias para a implantação do embrião na parede uterina e formação da porção embrionária da placenta (córion). As células do embrioblasto são as que irão formar o embrião propriamente dito, se desenvolvendo em três camadas germinativas (ectoderme, mesoderme e endoderme) na terceira semana. A partir da formação dos folhetos germinativos na gastrulação, ocorre a neurulação que é a formação do tubo neural.
O desenvolvimento inicial do equino é caracterizado pela formação de uma cápsula que envolve o concepto, garantindo sua viabilidade através de proteção mecânica e biológica. Também ocorre o desenvolvimento do saco vitelínico, que nos equinos é uma estrutura predominante nas primeiras três ou quatro semanas de gestação e exerce papel no suprimento nutricional inicial do embrião. O córion, formado a partir do trofoblasto, envolve externamente todo o embrião e as outras três membranas fetais formadas: âmnio, saco vitelínico e o alantóide.
O batimento cardíaco do embrião e a passagem de sangue no sistema circulatório podem ser detectados ao redor do dia 26, sendo um critério importante para estimativa da viabilidade fetal. No dia 40 (final do estágio de embrião) o embrião e seu âmnio já foram movidos para o pólo oposto e o saco vitelínico desaparece, sendo sua função substituída pela placenta, e o cordão umbilical estabelece ligação entre os envoltórios fetais e o feto em si. O embrião já possui patas, cabeça e orelha.
Na sétima semana, entre os dias 50 e 55, jarrete e boleto se desenvolvem, o cordão umbilical está se desenvolvendo e o embrião se torna um feto. No dia 60 começa o desenvolvimento dos cascos. No terceiro mês o feto já começa a apresentar sutis características sexuais, formação de todo sistema urinário e genital. Quarto, quinto e sexto mês são caracterizados pelo surgimento dos pêlos, crina e cauda, além do total desenvolvimento do cordão umbilical. Sétimo e oitavo mês os órgãos sexuais externos se formam. Nono e décimo mês são caracterizados pelo estágio final de desenvolvimento fetal, onde cresce pele ao longo da coluna vertebral e o animal já está pronto para entrar na posição de nascimento. Pulmões já desenvolvidos para realizar sua função e as patas capazes de sustentar o corpo.
A placenta da égua é epiteliocorial, difusa, micro cotiledonária e adeciduada. A placentação envolve um aumento e uma reorganização consideráveis nos tecidos tanto materno quanto fetal. Como estruturas distintas da placenta equina madura, os micro cotilédones são completamente formados no quinto mês de gestação.
A eCG (gonadotrofina coriônica equina) é um hormônio glicoprotéico secretado pelos cálices endometriais durante aproximadamente os dias 33 a 120 da gestação. A quantidade secretada é grande e provavelmente uma importante parte no desenvolvimento do contato feto-maternal, necessário para o sucesso da gestação.
Produção in Vitro
Fertilização in Vitro
Procedimento:
1- Aspiração folicular guiada por ultrassom, onde cada folículo é lavado e aspirado na busca de um óvulo.
2- Os oócitos são colocados na incubadora por um período para a maturação 24hrs e assim, estarem aptos a fertilização, e logo, recebem a injeção de um único espermatozóide.
3- Depois de injetados, 20% destes oócitos se tornam embriões e ficam em cultivo por 7-8 dias.
4- Os embriões produzidos são enviado para o local desejado para a transferência em éguas receptoras.
Transferência Intrafalopiana de Gâmetas (GIFT)
A técnica consiste em transferir o oócito de uma égua doadora para o oviduto de uma receptora, isso ocorre geralmente quando a égua que receberá este oócito, não possui variabilidade genética favorável para produção de oócitos, mas que, apresenta diversas características que auxiliam no desenvolvimento deste embrião, até o nascimento do potro. A égua receptora é inseminada imediatamente, antes ou após a transferência dos oócitos, sendo assim, esses espermatozoides transferidos juntamente com os oócitos, diretamente na tuba uterina das receptoras, permitindo associar o uso de garanhões com sêmen de baixa qualidade ou doses inseminantes menores.
A vantagem desta técnica é permitir o uso de baixas quantidades de espermatozóides móveis, sendo a taxa de desenvolvimento embrionário uma média de 27 a 82%.
A Laparoscopia é uma cirurgia em que o médico, utilizando o laparoscópio luz de rolamento e outros instrumentos, através de uma pequena incisão na parede abdominal, transferindo o espermatozóide e os oócitos diretamente para as tubas uterinas.
Produção In Vitro
O sucesso da produção in vitro de embriões depende de uma série de fatores como: disponibilidade de ovócitos imaturos saudáveis, métodos de MIV e capacitação espermática eficientes e condições ótimas de cultivo. O Brasil detém o maior rebanho da América Latina e o terceiro em âmbito mundial com um total de equídeos atingindo a marca de 8 milhões de cabeças, fazendo girar algo em torno de R$ 7,5 bilhões com a produção de cavalos